Karina Mendes se reinventa durante a pandemia e mostra a força da mulher

A entrevistada fala ainda sobre as principais dificuldades enfrentadas no mercado de trabalho

Karina Mendes/ Empreendedora

Comemorado internacionalmente no dia 8 de março, o Dia das Mulheres foi oficializado em 1975 pela Organização Nacional das Nações Unidas (ONU) e visa, principalmente, lembrar ao mundo sobre uma tragédia ocorrida em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas.

Desde então, as mulheres continuam lutando por igualdade em diversas questões, mas principalmente no mercado de trabalho, no qual, de acordo com um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em março de 2021, 54,5% das mulheres com 15 anos ou mais integraram a força de trabalho no país em 2019. Entre os homens, esse percentual foi 73,7%. A força de trabalho é composta por todas as pessoas que estão empregadas ou procurando emprego em um país.

"No Brasil, em 2019, as mulheres dedicaram aos cuidados de pessoas ou afazeres domésticos quase o dobro de tempo que os homens (21,4 horas semanais contra 11,0 horas). Embora na Região Sudeste as mulheres dedicassem mais horas a essas atividades (22,1 horas), a maior desigualdade se encontrava na Região Nordeste", mostra o estudo.

Pensando em conscientizar a população sobre a importância do dia das mulheres e de respeitá-las, nesta edição, a redação do O Novo conversa com Karina Mendes, moradora de Guararema que apesar das dificuldades geradas pela pandemia, continuou procurando novas formas de renda, se reinventou uma vez mais e atualmente assumiu o desafio de trabalhar como caminhoneira.

Em um post de janeiro, a empreendedora afirmou: “já foi recepcionista, auxiliar de dentista, estagiária, coordenadora, vendedora, babá, garçonete, faxineira, caixa, cozinheira, motorista, monitora, recreadora, auxiliar de palco, empreendedora, artesã e professora. Mas principalmente, sou filha, sou mãe e sou esposa, é e sempre será por vocês”, diz sobre a família.

Durante o nosso papo, falamos com a empreendedora sobre as principais dificuldades das mulheres no mercado de trabalho, os aprendizados que surgiram com os desafios enfrentados por ela, além das metas e motivações que vão surgindo ao longo da vida.

Confira essa entrevista que tem o intuito de homenagear não só Karina, mas todas as mulheres do mundo:

Soubemos que você já atuou em diversas áreas durante a sua vida. Poderia nos contar mais da sua jornada nesses trabalhos?

“Me tornei empreendedora aos 27 anos. Após 13 anos trabalhando como CLT (por meio das Consolidações das Leis do Trabalho, ou seja, Carteira de Trabalho), encarei o desafio de ter um negócio próprio aqui em Guararema, mesmo diante do desafio de ter escolhido uma cidade com um giro de comércio bem abaixo da média da minha cidade de origem que é Guarulhos. Foram quatro tipos de comércio em áreas totalmente distintas. O que me trouxe um aprendizado enorme”.

Atualmente, você está trabalhando também como caminhoneira, quais os principais desafios da profissão?

“A violência, os assaltos e o alto custo para trabalhar. Além do diesel, dos impostos e de muitas outras coisas”.

O que tem aprendido sobre você e o mundo ao exercer este novo emprego?

“Que nada é tão certo que não possa ser mudado. Nunca me imaginei na boleia de um caminhão (parte dianteira onde está a cadeira do motorista). São 14 anos à frente do meus próprios negócios, que com a pandemia foram paralisados. Em um deles o rendimento veio a zero. Porém os tributos e salários não pararam. Não me vi com outra alternativa a não ser tentar um novo ramo com o que eu tinha em mãos”.

Já sofreu algum preconceito por ser mulher nas profissões que exerceu?

“O preconceito contra a mulher ao volante é um desafio diário, seja na moto, no carro ou no caminhão”.

Quais são suas maiores metas para o futuro e o que te motiva a alcançar seus objetivos?

“Minhas metas estarão sempre com o foco na minha família, no nosso conforto e lazer. Minha motivação ainda é, por mais que seja difícil, gerar empregos e indiretamente, poder contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária. A maior parte dos colaboradores que passaram por meus negócios neste anos se tornaram amigos. Preciso deles tanto quanto eles precisam de emprego. E assim, seguimos nos ajudando”.

Você gostaria de deixar um recado especial para as leitoras do O Novo?

“Gostaria de dizer que nada é tão certo que não precisa ser mudado. O novo assusta, mas também nos transforma”.