Ana Luiza Moreira

A falta de protagonismo feminino nos filmes indicados ao Oscar 2022

Ana Luiza Moreira

Publicado

há 2 anos

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A falta de protagonismo feminino nos filmes indicados ao Oscar 2022

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No momento em que começamos a acreditar que o reconhecimento feminino estava aumentando na indústria cinematográfica, vem o Oscar 2022 e retrocede todos os passos dados no ano anterior.

Não que essa revolta seja nova ou que o problema estivesse perto de ser resolvido, mas em 2021, tivemos Chloé Zhao ganhando o Oscar de Melhor Diretora por Nomadland e Emerald Fennell sendo premiada pelo roteiro de Bela Vingança, ambas as tramas focadas em mulheres e sob o ponto de vista delas.

Mas e 2022? Bom, neste ano nós tivemos a primeira mulher sendo indicada duas vezes na categoria de Melhor Direção, mas eu particularmente não vejo isso como uma conquista e sim como um sinal de que estamos longe, muito longe.

Já é passado o tempo em que comemoramos pequenas conquistas, porque simplesmente não dá mais para vivermos de migalhas, e não é como se produções feitas e protagonizadas por mulheres não fossem boas e apesar de poucas, não é como se não existissem.

Como exemplo disso temos o caso de Spencer, um filme que tem aura de Oscar, mas nem sequer foi indicado nas categorias maiores. E a mesma coisa pode ser dita sobre A Filha Perdida, longa que merecia mais indicações, além do Oscar que pode chegar até Olivia Colman.

O que tenho tentado dizer aqui é que não faz sentido nenhum filme da categoria de Melhor Atriz estar indicado como Melhor Filme, no entanto, é esclarecedor ver que mais da metade desses 10 filmes listados como os melhores, não tem protagonismo feminino e quando tem, envolvem um viés mais romântico, quando não coadjuvante.

Não digo para abolirmos os filmes protagonizados por homens, muito pelo contrário, quanto mais melhor! Mas é importante que isso também se aplique ao outro gênero. Queremos visões plurais, histórias sobre todos os tipos de pessoas e para todos os tipos de pessoas.

A jornalista Ana Luiza Moreira é formada pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), é desenvolvedora do Portal Freaks! e atua como redatora do Jornal O Novo.