Especialista de Harvard explica riscos da variante Delta

Delta pode causar doenças mais graves do que as cepas anteriores, diz dra. Verônica

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Há quem pense que já está na hora de aposentar as máscaras e os outros protocolos sanitários para conter a disseminação da Covid-19. No entanto, apesar do avanço no quesito vacinação e os números mais baixos de internações, ainda está longe o dia de dispensar os cuidados de segurança.

Conforme divulgado pelo Governo do Estado, até as 11 horas desta sexta-feira (13), apenas 26,87% da população geral de São Paulo está com o esquema vacinal completo, ou seja, tomou duas doses ou recebeu a vacina de dose única. No âmbito nacional, o número é ainda mais baixo, cerca de 22,80% da população brasileira foi imunizada totalmente, dados da última quinta-feira (12).

Outro fator preocupante é a presença da variante Delta em São Paulo. A cepa, considerada uma das mais transmissíveis pela Fiocruz, foi responsável, por exemplo, pela segunda onda de Covid-19 na Índia. No total, a variante B.1.617.2 se espalhou para mais de 60 países. 

A doutora Verônica Magalhães Raimundo, que é médica da USP, especializada em Fisiatria e Neurofisiologia Clínica, Administração Hospitalar (FGV) e Pesquisa Clínica (Harvard Medical School), esclareceu ao O Novo que alguns dos sintomas apresentados por infectados pela variante podem ser diferentes de outras cepas. “Conforme as informações do CDC (Centers for Disease Control and Prevention dos EUA), alguns dados sugerem que a variante Delta pode causar doenças mais graves do que as cepas anteriores em pessoas não vacinadas (maior probabilidade de hospitalização)”, concluiu a especialista.

A pesquisadora também alertou para o risco em pessoas não imunizadas, que, de acordo com ela, estão mais propensas a contrair e, consequentemente, transmitir o vírus.

Na China, pesquisadores verificaram que a carga viral das pessoas contaminadas com a variante Delta é maior, na maioria dos casos. Diante dessa e de outras descobertas, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirmou que a variante Delta é tão contagiosa quanto a catapora (varicela) e muito mais contagiosa do que a gripe.

Questionado pelo O Novo, o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Dr. Jean Gorinchteyn, apontou quantos casos da variante temos no Estado. “Em São Paulo, nós temos 91 casos da variante Delta, desse 91, temos 7 casos que foram importados, 36 deles são atópicos (que já estavam na comunidade, sem relação com situações exteriores), ou seja, essas pessoas se contaminaram aqui”, analisou o médico.

Gorinchteyn também relacionou o alto número de casos da cepa em outros países ao relaxamento do uso de máscaras, o que, segundo ele, não acontece em São Paulo. Além disso, o secretário afirma que a combinação da vacinação e do uso de máscara de proteção são fatores essenciais para evitar que a variante se espalhe.