Alto Tietê descarta aumento na passagem de ônibus; já empresas ameaçam paralisar serviços 

Empresas de transporte coletivo afirmam ser inviável continuar o serviço; negociações sobre o reajuste seguem em andamento

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No começo do mês, a maioria das empresas que operam as linhas de ônibus municipais na região havia protocolado um pedido de revisão nas tarifas cobradas junto às prefeituras. Entretanto, em algumas cidades, as solicitações superam um ajuste maior do que 100% do valor, elevando o valor da passagem para R$9,00.

Atualmente, no Alto Tietê, a média do preço das passagens é de R$4,40. Na argumentação das empresas, a atual tarifa está defasada, principalmente por causa dos preços dos combustíveis e, por isso, continuar a prestação do serviço tornou-se ‘‘inviável’’. Em alguns municípios, as concessionárias consideram aumentar o preço ainda este ano, diferentemente do habitual, que seria no início de cada ano. 

Contudo, prefeitos das cidades do Alto Tietê descartaram a possibilidade desse aumento. De acordo com o secretário Executivo do Consórcio de Municípios do Alto Tietê, Adriano Leite, a decisão dá-se devido ao cenário econômico atual. "Diante das dificuldades econômicas que ainda persistem e do alto índice de desemprego, os prefeitos descartam o aumento das tarifas nos índices pleiteados pelas concessionárias", explicou.

Ainda segundo o secretário Executivo, estudos técnicos e frentes de negociação estão em andamento nos municípios para estabelecer um teto para o reajuste nas tarifas de ônibus. A expectativa é de que as cidades pratiquem índices equivalentes, tendo em vista a grande circulação dos moradores dentro da própria região. Além disso, São Paulo também deverá ser uma importante referência. "As cidades buscam uma alternativa equilibrada e justa, que garanta a continuidade dos serviços com o menor impacto possível aos usuários", concluiu o secretário Executivo do Condemat.

Na Câmara

Na sessão ordinária do dia 9, a Câmara Municipal de Mogi, aprovou a Moção 172/2021, de autoria do vereador Otto Rezende (PSD). O documento faz um apelo às empresas concessionárias do transporte coletivo do Alto Tietê para que não reivindiquem aumento nas tarifas de ônibus.

Em sua fala, o parlamentar argumentou que o povo não teve aumento salarial necessário para arcar com esse reajuste. “A população não tem esse dinheiro, é injusto! Seria mais fácil ficar em casa do que pegar ônibus todo dia”, protestou.

“Sabemos que não é fácil ter uma empresa de ônibus, trocar o pneu, pagar o diesel, mas é irreal esse preço que foi imposto para a população. Claro que queremos o transporte funcionando, mas esse valor é surreal,” argumentou o vereador.

Ainda durante a sessão, a vereadora Inês Paz (PSOL) também se posicionou contra o aumento. “Os trabalhadores não estão tendo reajustes, o funcionalismo público estadual, os professores, que não têm nada a ver com a pandemia, não têm reajustes”, argumentou.

Já o vereador Iduigues Martins (PT) pediu “mais transparência” por parte das empresas concessionárias do transporte público: “Nunca foi aberta a planilha de custos da empresa, custo da renovação da frota, dos combustíveis, dos pneus, dos impostos. Isso é um debate que temos que aprofundar”.

“Temos que discutir, entrar nesse tema espinhoso e lembrar à população que o reajuste não chega até a Casa. Não votamos reajuste de passagens de ônibus, mas podemos discutir e levar soluções ao prefeito”, sugeriu Marcos Furlan (DEM).

Na Prefeitura

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes de Mogi das Cruzes informou que as questões relativas à tarifa do transporte coletivo estão sendo tratadas de forma regional, junto ao Condemat. 

A análise deverá levar em conta o atual cenário do País, com as dificuldades econômicas enfrentadas pela população e a elevação de custos do sistema, como o aumento no preço dos combustíveis e queda no volume de passageiros em decorrência da pandemia.