Prefeitura de Mogi apresenta levantamento com repúdio da população à proposta de instalação de pedágio

Segundo a Administração Municipal, os problemas do projeto incluem questões de mobilidade, prejuízos para comerciantes, empresários e moradores da região

PMMC

Durante o evento “Mogi Contra o Pedágio”, realizado nesta terça-feira (24), no Theatro Vasques, a prefeitura apresentou uma pesquisa que mostra que 85% dos mogianos são contrários ao projeto, além disso, 20% dos mogianos não conheciam a proposta. A reunião contou com representantes da indústria, do comércio, da agricultura, lideranças religiosas e movimentos organizados que contestam o projeto.

Em sua fala, o prefeito da cidade, Caio Cunha, mostrou seu repúdio a instalação do pedágio e trouxe dados para complementar sua posição. “A pesquisa foi clara: a mogiana e o mogiano que conhecem a proposta do pedágio não concordam com ela. Além disso, quatro em cada cinco mogianos jamais votariam em um candidato a governador, ou a vice-governador, que estivesse autorizando o pedágio para a cidade. E esse é um dado muito importante quando você fala em um ano pré-eleitoral. É isso que incomoda, infelizmente: o voto. Mas é importante lembrá-los que, se depender de Mogi das Cruzes, ninguém vai ser eleito em 2022 defendendo o pedágio. A cidade não aceita esse projeto absurdo”, concluiu.

Além da pesquisa, o evento trouxe uma apresentação com números e informações que mostram os prejuízos que a proposta acarreta para a cidade. Os problemas incluem questões de mobilidade, planejamento urbanístico, prejuízos para comerciantes, empresários e pessoas que se deslocam entre regiões distantes da cidade – e que teriam que pagar o pedágio. A proposta da Artesp compromete a atração de novos investimentos e transformaria a malha viária da cidade em uma via rápida de acesso ao litoral (veja todas as informações em documento no final da página).

O vereador Edson Santos, representando os vereadores presentes, reforçou a disposição contrária do Legislativo diante do projeto: “A cidade não aceita essa proposta e estamos unidos para que Mogi das Cruzes fique livre deste projeto”, frisou.

A secretária municipal de Transportes, Cristiane Ayres, mostrou que as intervenções propostas pelo projeto da Artesp inviabilizam projetos viários em andamento, seccionam o Corredor Leste-Oeste (Avenida das Orquídeas) e impedem o projeto de retirada da rotatória localizada no cruzamento da avenida Valentina Borestein com a rua David Bobrow.

A procuradora jurídica Dalciani Felizardo explicou que o município vem tomando todas as iniciativas jurídicas possíveis para barrar o projeto. A Prefeitura questiona o edital de licitação da Artesp com duas ações que estão em andamento. Uma delas é uma representação de exame prévio contra o edital, impetrada junto ao Tribunal de Contas do Estado, que manifestou-se favoravelmente aos argumentos do município contra o edital de licitação. Atualmente, a Procuradoria-Geral do Município aguarda as próximas ações da Artesp. Caso a agência republique o edital, a Procuradoria vai reavaliar a situação, para analisar que medidas serão tomadas.

O empresário Paulo Boccuzzi, do Movimento Pedágio Não, reforçou a disposição da sociedade para lutar contra a proposta. “Já observamos que, em casos como este, os responsáveis pela proposta esperam que a sociedade se canse da mobilização. Não será isso que acontecerá em Mogi das Cruzes, pois estamos cada vez mais reforçando o engajamento da cidade contra o pedágio”, salientou.