A Proximidade da Distância

Muitos já tiveram a experiência de pegar um livro e ter dificuldades de ler as palavras, seja por um defeito na visão ou pelo tamanho diminuto da fonte. Consequentemente, o que o leitor faz? Ele aproxima o livro do seu campo de visão e problema resolvido.
Entretanto, existe um problema com isso. Num determinado ponto, quanto mais você se aproxima do livro, mais difícil se torna ler as palavras. Não é verdade? Embora a proximidade facilite a leitura, chega-se a um ponto no qual a proximidade excessiva não somente dificulta, mas, em última instância, inviabiliza a leitura.
A constatação desse fenômeno serve de analogia para entender a maneira como enxergamos o mundo a nossa volta.
Muitas vezes, passamos dias quebrando a cabeça tentando resolver algum problema de ordem pessoal, financeira ou profissional sem obter sucesso. Pensamos e repensamos incontáveis vezes sem obter nenhum esclarecimento e, inclusive, ficamos com a sensação de que o problema só piorou.
Ou seja, estamos tentando ler o livro aproximando-nos demais dele e, com isso, a leitura se torna impossível. Qual é a solução? Distanciar-se do problema. Como fazer isso?
Se você não quiser pensar no seu trabalho e ficar repetindo “Não pensarei no meu trabalho” você já errou, porque quando você diz que não quer pensar no seu trabalho isso significa que você já está pensando nele.
O remédio não consiste em não pensar naquilo que você quer evitar, mas descansar. Ou seja, dedicar sua atenção a atividades que requeiram um tipo diferente de esforço e foco. Exemplo: a atenção que se deve ter num jogo de tênis é diferente daquela de um bancário em seu trabalho.
Ou seja, uma atividade extenuante como tênis pode se converter num descanso dependendo da finalidade com que ela é realizada.
Falando de uma experiência pessoal, somente estando no Rio de Janeiro que comecei a entender no que constitui minha identidade como paulista. Apesar de ser incapaz de articulá-la, a minha presença entre cariocas já é suficiente para despertar em mim e neles a convicção de que existe algo distinto em mim com relação a eles e vice-versa.
Ou seja, foi necessário distanciar-me de São Paulo para começar a perceber aquilo que há de São Paulo em mim.
Disso, tiramos uma conclusão aparentemente paradoxal: é necessário distanciar-se em alguma medida do objeto que você quer conhecer para compreendê-lo melhor.
Curioso, não? E você, do que você está precisando se distanciar para conhecer melhor em sua vida?