Um toque de humanidade

Segundo o dicionário, “afabilidade” é a qualidade ou comportamento daquele que é cortês, delicado e benevolente. No quotidiano, essa qualidade geralmente aparece em atos de cortesia e deferência, como ceder o assento no ônibus, esperar que o outro conclua um raciocínio sem interrompê-lo e dizer um “bom dia” a quem passa ao nosso lado.
Embora elementares, essas atitudes estão em escassez em nossa sociedade. Dentre as causas dessa situação, pode-se citar ao menos duas.
Primeiramente, era comum nas famílias a transmissão de normas de comportamento, desde evitar conversas inoportunas tratando de temas pouco edificantes a não mastigar com a boca cheia. 
Entretanto, diante das mudanças na dinâmica familiar, muitas famílias não almoçam mais juntas, os pais em geral trabalham até tarde, e pouco veem os filhos, e o conteúdo transmitido pelos meios de comunicação reiteram comportamentos histéricos, desequilibrados e grosseiros. 
Aliada a essa mudança, outro inimigo da afabilidade no trato com as pessoas é a pressa. Afinal, ser afável consistente em lapidar a forma de nossos gestos e palavras. Da mesma forma que uma obra de Michelangelo levava algum tempo a ser concluída, a afabilidade demanda tempo e esmero para ser aperfeiçoada. 
Por exemplo: leva (um pouco) mais de tempo parar, entabular uma breve conversa e cumprimentar o porteiro do prédio do que passar sem olhar para ele.  Apesar disso, esses segundos a mais são a maneira de ter um encontro, ainda que breve, com uma pessoa que está próxima de nós diariamente. Será que o porteiro não merece isso? Custa tanto transmitir um pouco de gentileza por meio de um aperto de mão e um sorriso sincero?
Em 2013, George Saunders foi convidado a proferir um discurso como patrono dos graduandos na Universidade de Siracusa. Nele, ressaltou a gentileza como uma das qualidades mais importantes para a vida: “De quem vocês se lembram com maior carinho no decorrer da vida? Com o mais inegável sentimento de cordialidade? Daqueles que eram mais gentis com você, aposto. Talvez isso seja um pouco simplista, e é certamente difícil colocá-lo em prática: no entanto, eu diria que, como objetivo de vida, vocês fariam bem se tentassem ser mais gentis.”
Difundir humanidade pelos caminhos da Terra. Eis aí uma meta de vida elevada!