Viver como gafanhotos ou como Homo sapiens?

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Viver em sociedade tem sido, do meu ponto de vista, algo muito mais inconsciente do que consciente, muito mais automático do que realmente pensado ou planejado. Vivemos em sociedade porque nascemos nela, nossos antepassados nasceram nela e assim tem sido. Seguimos suas regras, às vezes por força das leis e por vezes pela força dos costumes. As pessoas, de modo geral, não quebram as regras daquela sociedade para não serem punidas ou, porque sentiriam vergonha se flagrados “fora da curva”.

Porém, viver em sociedade, viver “em comunidade” é muito mais que isso! Muitos pensadores, como Rousseau, Kant, Montesquieu, há muito tempo, já nos deixaram importantes reflexões e estudos sobre a vida em sociedade e o comportamento humano nela. Defendo que pelo menos os conceitos básicos destes pensadores deveriam ser “bebidos” já nos primeiros anos de estudo. Não tenho dúvidas de que seríamos uma sociedade muito mais avançada e solidária se isso acontecesse.

Isto posto, nós, enquanto sociedade, precisamos de um chacoalhão para entendermos o que realmente é necessário para uma vida melhor em conjunto com os nossos semelhantes, que são todos os seres humanos. Por consequência devemos pensar na nossa responsabilidade sobre as coisas que fazemos e que influenciam o meio em que vivemos. Agora, entrando na seara a que me proponho nesta coluna, segundo António Guterres, secretário-geral da ONU, estamos num "ponto de ruptura" para o clima. Isso lembra que nossas ações estão tornando nosso meio um lugar pior para se viver, por conta, principalmente, da nossa falta de noção da vida em sociedade e nas consequências que nosso modo de vida afeta o clima. O planeta está aquecendo, muito por influência dos métodos de produção e consumo que vivemos. Isso é fato e os negacionistas não pagarão essa conta por nós!

Há décadas somos alertados pelos mais atentos de que o nosso modo de vida e ritmo de consumo não estão adequados com os recursos que o planeta pode oferecer. Existe um texto do brilhante Jornalista Washington Novaes, chamado “Em busca do caminho das pedras”, escrito em 2004, porém super atual e de extrema necessária leitura, que reflete o quanto somos parecidos, ou piores, que uma nuvem de gafanhotos... Consumindo apenas, em detrimento do que precisaríamos fazer para melhorar a vida das pessoas com quem convivemos, próximas ou não.

O humano, que se considera o ser mais inteligente do planeta, está sendo responsável pela depreciação da vida nele... Reflita, se todas as suas ações são positivas, não só para você, mas para todos. E, em sendo positiva exclusivamente para você ou seu grupo, se a longo prazo não esgotará também os seus recursos.