O impacto do seu voto nas eleições municipais de 2020

A colunista do O Novo, Natasha Santos, fala sobre a importância contida no ato de exercer a democracia

Prefeitura Municipal de Guararema

O primeiro registro do voto enquanto ato político no Brasil data de 1532, mas houve um longo caminho na história até que o sufrágio se tornasse o que é hoje. O direito ao voto igualitário surgiu com a Constituição Federal de 1988, que estabelece também que entre os maiores de 18 anos e menores de 70 anos, o exercício do sufrágio é obrigatório. Ou seja, além de direito, é também um dever de todos.
Nossa Constituição Federal, apelidada de Constituição Cidadã por ter surgido após a Ditadura Militar, inovou ao estabelecer que a soberania pertence ao povo e é através do voto que ela é exercida. A partir disso, temos a figura dos eleitos como representantes dos interesses coletivos sociais do povo.
Contudo, o Brasil é um país que culturalmente não se interessa por política. Costumamos ver o exercício do voto como uma obrigação e não como um ato político. Não percebemos o impacto que o voto tem no futuro da sociedade. Mas aqui temos uma verdade: nossa política é o reflexo de nossa sociedade. Nossos representantes são um panorama macro da nossa falta de engajamento político.
Se a sociedade não tiver consciência de seu poder político e não exercê-lo, está autorizando que qualquer indivíduo eleito a represente. É preciso chamar a atenção da sociedade para a importância e seriedade que uma eleição representa. Vejamos o caso da potência mundial, Estados Unidos. Joe Biden venceu a disputa graças aos votos vindos através do sistema de correio americano. Cada voto conta e é necessário para decidir como o país (no caso dos EUA) será conduzido daqui para frente.
O brasileiro tem o costume de fazer o voto de protesto. Deixar de votar, votar em branco, nulo ou votar no candidato mais excêntrico como afronta ao sistema com o intuito de demonstrar sua insatisfação política e social. Mas o povo é o sistema. A afronta terá impacto no futuro desses mesmos eleitores pelos próximos, no mínimo, 4 anos.
Para corroborar os argumentos apresentados, vamos tomar como estudo o panorama das Eleições Municipais de 2016 no Município de Guararema. Todos concordamos que o interesse em eleger bons representantes é interesse exclusivo dos munícipes eleitores de Guararema. Pois bem.
Em 2016, no Município de Guararema, estavam aptos a votar 23.867 eleitores. 19.766 eleitores compareceram porquanto 4.101 decidiram se abster. Isso significa que mais de 17% dos eleitores decidiram não exercer o direito de contribuir para escolher quem os representaria pelos próximos 4 anos.
Ainda com base nos gráficos do Tribunal Superior Eleitoral, percebemos que os homens alcançam percentual de abstenção maior que as mulheres e que a faixa etária com maior número de abstenção se enquadra entre 25 e 29 anos de idade, seguidos dos eleitores com 30 a 34 anos.
Incrivelmente surpreendente é que nossos jovens menores de 18 e idosos acima de 75 anos, que não têm obrigatoriedade de votar, possuem uma taxa de abstenção menor que a dos adultos entre 25 e 34 anos. São 2,95% de abstenção entre os eleitores facultativos contra 3,85% entre eleitores com maior expectativa de ativismo político.
Os dados ainda nos mostram uma outra realidade. Como a falta de estudo impacta diretamente na consciência e esclarecimento dos eleitores a respeito da importância da participação política e exercício do voto. Nos é indicado também que aqueles com ensino fundamental incompleto se apresentam como maioria nas abstenções.
Essas análises foram realizadas unicamente nas eleições municipais de 2016 do Município de Guararema. Estamos agora, novamente diante de mais uma eleição municipal e a estatística mostra que há 24.594 eleitores aptos a exercerem o exercício do voto. Será que os índices serão melhores que os da eleição passada? Será que a população está politicamente engajada e interessada nas pautas apresentadas pelos candidatos? Aguardaremos para apurar os resultados, que refletirão como o Município será conduzido pelos próximos 4 anos.
Cidadãos eleitores, não esqueçam que não há democracia sem voto. Para garantir a efetividade dessa ferramenta é imprescindível que para haver um bom processo eleitoral, é preciso que exista bons eleitores. Todo o árduo caminho percorrido pelos antepassados não terá valido de nada se o eleitor atual não tiver consciência da seriedade e importância do seu voto. Conheça as propostas, os candidatos, pesquise, estude.
Politizar-se e votar é preciso. Para refletirmos, deixo a mensagem de Abraham Lincoln: “Governo do Povo, Pelo Povo e Para o Povo”. Uma boa eleição a todos.