Assassino arrependido

Reflexões

O que dizer de tudo o que houve na quinta-feira (04/04)? Fica difícil encontrar palavras diante da manifestação do mal e o terror que seguiu naquela madrugada. O desafio agora é enxergar raios de esperança por trás dessa cortina de medo. Em verdade, o próprio choque que a população guararemense manifestou é sinal de quão moralmente sã ela ainda está. Uma das maiores tragédias da nossa época é a tendência de se acostumar com o mal, como o assassinato, o roubo, o estupro etc.  Então, se ainda nos chocamos com o mal, sinal de que permanecemos saudáveis.


Aqueles que dizem que estamos em uma época em que não há heróis, eles simplesmente não sabem onde procurar, afirmou Ronald Reagan. Embora a Polícia Militar seja uma instituição passível de erros e abusos como qualquer outra, colocar a vida em risco para que outro possa dormir tranquilo é a rotina de todo policial militar. Ora, se isso não é um ato heroico, o que se poderia chamar de heroísmo? Juntamente com bombeiros, enfermeiros, professores etc, os policias constituem aquilo descrito na Constituição Federal como “Nós, o povo”. E quanto aos assaltantes? É natural que tenhamos torcido para que os demais membros da quadrilha fossem encontrados.  No entanto, será que também torcemos para que eles tenham se arrependido? Estaria eu, sendo ingênuo ao sugerir essa possibilidade? Acredito que não.


Jacques Fesch era filho de um rico banqueiro belga. Em 1954, após tentar roubar uma casa de câmbio, Jacques atirou num policial, sendo condenado à pena de morte. Depois de um ano de prisão e influenciado por seu advogado católico, ele passou por uma conversão à fé, o que o levou a arrepender-se profundamente de seu crime. Esse processo está registrado em sua diário espiritual. Neste, a última frase escrita foi a seguinte: Em cinco horas, verei Jesus. Atualmente, o processo de canonização de Jacques Fesch está em análise pelo Vaticano. 


Quão semelhante ao relato de São Dimas, o bom ladrão crucificado ao lado de Cristo: - Jesus, quando chegares ao teu reino, lembra-te de mim. (Jesus) Respondeu-lhe: - Eu te asseguro que hoje estarás comigo no paraíso.
Se é necessário heroísmo para colocar uma vida em risco para proteger as demais, é preciso um ato de heroísmo hercúleo para se arrepender do mal feito. Tomara que os assaltantes mortos tenham exercido esse heroísmo e estejam com Cristo no Paraíso.