Vem, Senhor, não tardes!

Estamos às portas da Véspera de Natal. Nessas últimas semanas, presenciamos ruas enfeitadas, filmes temáticos passando na televisão, comidas típicas da estação etc.
Isso pode levar alguns a supor que o Natal se resume a uma época do ano na qual trocam-se presentes e sacia-se o paladar. Se o Natal se resumisse a isso, esta época não seria muito especial. Se ela for mais do que isso, qual é o sentido do Natal?
Antes do Papai Noel, o Natal tem em seu centro a trajetória de uma família judia que se instalou na cidade de Belém por ordem de um decreto imperial. Era inverno e a família sequer dispunha dos meios necessários para pagar uma hospedaria decente.
Diante disso, a mulher – que estava grávida – deu à luz num estábulo e embalou seu bebê numa manjedoura junto a seu esposo.
Por que esse relato tão ordinário continua a ser comemorado depois de milênios após seu acontecimento?
Alguns celebram o Natal como a data do nascimento de um homem muito bom, um professor, um orador, um sábio. Outros dentre nós reconhecem a divindade da criança que nasceu em Belém como o santo de Israel, aquele esperado por tantos profetas entre os hebreus.
Se aquela criança foi um homem, por melhor que ele tenha sido, seu nascimento representa a vinda ao mundo de mais um sábio como Buda, Maomé, Confúcio etc. Assim, o Natal se torna a festa de aniversário de um homem muito bom.
Por outro lado, se aquela criança trouxe consigo a marca da divindade, esse acontecimento é o mais importante da História. Afinal, a Luz se encarnou e passou a compartilhar da nossa natureza humana.
Se outrora Eva apresentou a Adão o fruto da desobediência, em Belém Maria oferece a José o fruto da obediência: Faça-se em mim segunda a Tua palavra (Lc 1,26-38).
Talvez este ano tenha sido duro e os dias não estão melhorando à medida que o Natal se aproxima. Se esse for o caso, lembre-se: foi numa na noite de inverno, no frio, na solidão, que Jesus nasceu. Se você sentir seu coração frio neste momento, este é o momento ideal para pedir: Vem, Senhor, não tardes!
Muito mais do que ser um beberrão, comilão ou perdulário nesta época, o principal é viver a realidade do Natal interiormente. Como um estábulo recebeu a Sagrada Família em Belém, que nós preparemos nossos corações para receber mais uma vez Jesus, Maria e José em nossas vidas.
Evidentemente, Papai Noel está convidado para essa reunião, mas lembre-se: ele não é o convidado principal.