Em busca do que já devia existir

Já se imaginou vivendo com medo todos os dias, sem ter feito nada específico para isso, só por existir? E, agora, além do medo, já pensou em sofrer agressões frequentes e ter marcas de dor por toda a vida? Pois é, esta é realidade de muitas mulheres, não apenas uma especulação. Segundo a pesquisa “Mulheres, empresas e a lei”, realizada pelo Banco Mundial em 2017, uma a cada três mulheres já foi vítima de alguma violência. 
No último domingo, 25, foi celebrado o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher. A data foi estabelecida em 1999, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, com o intuito de incitar a reflexão sobre a situação de violência em que vive considerável parte das mulheres em todo o mundo. Este ano, na data de celebração, a Organização das Nações Unidas classificou a violência de gênero como uma “pandemia global”.  O secretário-geral da organização, António Guterres, declarou por meio de uma carta aberta, que somente quando as mulheres puderem viver livre de medo, violência e insegurança será possível afirmar que o mundo é um lugar “justo e igualitário”.
De fato, diante de milhares de registros e notícias diárias de agressão e, pior ainda, de feminicídio, nós parecemos perder as esperanças cotidianamente. Este mundo “justo” ainda parece uma utopia, por mais que as mulheres tenham caminhado com muita garra em busca de um objetivo que se resume em respeito e deveria vir “de graça”. Discursos de igualdade e contra a violência à mulher nem deviam existir mais, não porque não são necessários, mas porque já deveriam ter surtido efeito de um modo geral. 
Elas seguem na busca pela dignidade, apesar e por causa de tudo. Aqui no Brasil, desde os anos 1980, as feministas entraram na luta contra a violência às mulheres. Ainda hoje, a batalha permanece e felizmente uma certa união feminina dá alguns “sinais de vida”. Não podemos parar, mesmo que a decepção por tudo que continua acontecendo surja. Façamos por nós e por aquelas que já não têm mais tempo para isso.