Para que a infância não seja roubada

Pensar na própria infância é uma forma de viver uma nostalgia incomparável. Nos primeiros anos de vida, com dias repletos de descobertas, a gente desenvolve uma personalidade que vai ser companhia diária ao longo do tempo que nos for permitido viver. 
Basta conversar com alguém sobre o assunto para lembrar de momentos únicos. Viver a infância nos anos 90, por exemplo, foi algo especial por experiência própria. Passar horas brincando na rua com colegas de bairro, de pés descalços e sem preocupações, era apenas uma das atividades rotineiras. O dia intercalava-se com diferentes formas de diversão: assistir aos principais desenhos na TV, jogar sozinho ou em equipe, fora de casa e também dentro, ligar o videogame e passar o resto do tempo brincando um pouco mais. 
Hoje em dia é nítida a mudança na rotina das crianças que vivem essa fase importante. Claro que as coisas mudam e evoluem ao longo dos anos, afinal não dá para separar em caixas os itens que devem ser “utilizados” em cada época da vida, mas é preciso viver o tempo estabelecido pela cronologia natural. 
As pessoas parecem estar atropelando as coisas em uma ânsia de “chegar lá” e não percebem o quão bom é o processo para isso tudo.  Crianças vem sendo adultizadas constantemente, trazendo para suas vidas o que ainda não lhes pertence. Ainda existem pais que aprovam o corte precoce do mundo lúdico, mas é preciso muita atenção para que haja limites. 
Crianças gastam tempo excessivamente em tecnologia. Constatação recente aponta que no Brasil oito em cada dez crianças e adolescentes têm acesso à internet. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2017, 85% das pessoas entre 9 e 17 anos podem acessar à rede. Isso pode prejudicar a comunicação e o contato “real” destes pequenos com colegas e até mesmo a família. A interação é importante para o desenvolvimento pessoal.
Em lembrança a este Dia das Crianças, comemorado em 12 de Outubro, o desejo é que esta fase não seja extinta. O tempo já passa rápido demais, não precisamos tentar acelerar mais um pouco.