Duna e os eternos dilemas da humanidade 

E depois de muitos atrasos por conta da pandemia, Duna, novo filme de Denis Villeneuve, estreou nos cinemas brasileiros. A obra tem como base um livro homônimo escrito em 1965, que foi o grande precursor das obras de ficção científica, sendo considerada a mais vendida de todas até hoje.

Aqui nós acompanhamos a clássica jornada do herói representada pelo jovem Paul Atreides, que foi o escolhido para salvar a galáxia das garras do Império. No entanto, não são as predeterminações do destino que tornam essa história interessante, e eu diria até: indispensável, são as questões ambientais e sociais que transformaram este mundo em algo tão rico e real.

No longa conhecemos Arrakis, um planeta que é puro deserto e que conta com uma especiaria chamada melange, esse item é usado como combustível para viagens espaciais e por conta disso, todo o império se volta para sua exploração e mais que isso, se volta para a dominação do planeta e de seus habitantes, os fremens.

Toda essa questão de combustível e invasão de um espaço que não é seu lembra vocês de algo? 

Para além disso, por estarmos com os olhos em um planeta desértico, vemos a todo momento como cada gota de água conta. Inclusive, para manter 20 árvores vivas é preciso tirar esse líquido de 100 pessoas. É triste, assustador, mas muito possível de acontecer conosco.

Duna acerta demais ao nos mostrar como as questões ambientais com as quais lidamos estão diretamente relacionadas com fatores políticos, estes que tem influência- para não dizer culpa- sobre eventos como tempestades, crises hídricas, guerras civis e outras defasagens do meio ambiente.