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Guararema

América

José Freire

Publicado

há 3 anos

em

América

16h, 5 de agosto: chego na estação Wellington em Boston. Já que participaria de um curso a partir do dia 6, precisava levar minha bagagem do hotel em que estava para o dormitório onde ficaria. Problema: não tinha como ir ao hotel; sem acesso a internet, ele ficava longe e não havia nenhum taxi próximo.Enquanto refletia, um carro de aplicativo se aproximava. Bati em sua janela e disse ao motorista: – Gostaria de que me levasse a dois endereços. $25,00 pela corrida? Ele me olhou e perguntou: – $30,00?  Respondi: – OK. Subi no carro e começamos a conversar. Descobri que seu nome era Jim e que nascera em Uganda; tinha 30 anos e morava de aluguel. Então, perguntei-lhe: - Parece que se você trabalhar duro e seguir as leis, consegue-se viver bem nos EUA. Ele imediatamente respondeu: – É isso aí! Deixei Uganda porque não se tem confiança lá: nas leis, no governo etc. A convicção na resposta do Jim fez-me pensar sobre isto: confiança. A confiança é a base da sociedade. Sem ela, não há prosperidade. Vivenciamos no Brasil uma crise de confiança em nossas relações e instituições. A desconfiança é uma marca da psicologia social brasileira. Tanto é assim que jamais se presume que alguém esteja de boa-fé. Curioso Machado de Assis ter a mentira como tema de suas obras. Afinal, uma das consequências da mentira é a desconfiança e esta incentiva aquela reciprocamente. Mark Manson escreveu uma carta ao Brasil propondo a seguinte reflexão sobre o tema: Você está de carona no carro de um amigo tarde. O papo está bom e ele não está prestando atenção quando arranca o retrovisor de um carro. Antes que alguém veja, ele acelera e vai embora. No dia seguinte, você ouve um colega de trabalho dizendo que deixou o carro estacionado na rua na noite anterior e amanheceu sem o retrovisor. Você descobre que é o mesmo carro que seu brother bateu “sem querer”. O que você faz? A)Fica quieto e finge que não sabe de nada para proteger o amigo?; B)Diz para o cara que sente muito e força o seu amigo a assumir a responsabilidade pelo erro? Eu acredito que a maioria dos brasileiros escolheria a alternativa A. Eu também acredito que a maioria dos gringos escolheria a alternativa B. Quanto ao Jim, ele levou-me em segurança. Tenho confiança de que está bem e prosperando. Eu poderia ter essa confiança se ele estivesse em Uganda ou no Brasil? Quanto à pergunta, qual seria sua resposta? Se for a A, você já conhece a primeira pessoa de quem deve desconfiar.

José Freire Nunes é  um jovem de 24 anos, que se formou na Universidade de São Paulo (USP) no ano de 2016 no curso de Direito. Atualmente, atua como mentor educacional. Freire, fez cursos no Canadá, Estados Unidos e Inglaterra.  Os cursos consistiram em seminários de verão de 4 dias a até 15 e cursos de inglês de até 4 semanas. 
Os cursos ocorrerem na Universidade de Cambridge (UK), Universidade de Harvard, Universidade de Yale e Bryn Mawr College.