Não é sentir fome, é sobreviver com ela

Sentir fome ao longo do dia pode até ser normal para muita gente que devido à correria diária não consegue parar para comer bem e regularmente, com calma. Alguns se privam em determinados por conta de dieta também, ou por algum outro motivo específico. Mas infelizmente grande parcela da população mundial não se alimenta simplesmente porque não tem um alimento sequer para isso. Não é uma escolha ou um acaso que impede a alimentação em um único momento, é a vida que impõe. Diariamente. 
Dados reunidos no relatório A Segurança Alimentar e a Nutrição no Mundo da ONU, publicado nesta terça-feira, 11, confirmam que o mundo não está em uma boa situação. Para ter uma ideia, apenas no ano passado 821 milhões de pessoas iam dormir todos os dias sem ingerir as calorias mínimas para exercer suas atividades diárias. Em comparação com 2016, o resultado representou aumento de 15 milhões. Em três anos, o avanço alcançado na luta contra a fome desde 2003 foi revertido, de modo que em 2017 existia exatamente a mesma quantidade de famintos que em 2010.
Até então, o objetivo marcado na agenda ONU, com relação ao tema, é erradicar a fome até 2030. A realidade e resultados de pesquisa, porém, mostram que estamos caminhando no sentido oposto desta meta. Como será que estaremos quando este ano, enfim, chegar?
Trazendo o tema para mais perto de nós, a ONU afirmou também que no Brasil o combate à fome estagnou-se, porém 2,5% da população ainda está em grave situação alimentar. Números divulgados pelo mesmo relatório citado anteriormente indicam que em 2017 mais de 5,2 milhões de pessoas passaram um dia inteiro ou mais dias sem consumir alimentos ao longo do ano, no Brasil. 
Triste pensar que enquanto alguns vivem à base de migalhas - quando tem - outros insistem no desperdício. Não ter o que comer todos os dias não é uma forma de viver, mas sim de sobreviver.