Políticas da região falam sobre o assédio sofrido por Isa Penna

A deputada estadual Isa Penna foi importunada sexualmente pelo colega de plenário, Fernando Cury, durante uma reunião da Assembleia Legislativa de SP

Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

Na quarta-feira, dia 31, ocorreu uma reunião entre o Colégio de Líderes das bancadas, o Conselho de Ética e o corregedor da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O objetivo do encontro era definir alterações nas penalidades do deputado estadual Fernando Cury, acusado por importunação sexual contra a deputada Isa Penna.

O caso ocorreu em dezembro de 2020, quando em votação sobre o orçamento para 2021, o deputado abraçou Isa Penna por trás e passou a mão no seio da legisladora. Após a decisão que afasta Cury por 119 dias, mas não altera nada em seu mandato, Isa Penna pediu pelo endurecimento das sentenças, com um afastamento de seis meses e sem remuneração.

Mesmo sem desfecho concreto sobre o assunto, que teve adiamento de votação para esta quinta-feira, dia 1º de abril, o abuso registrado pelas câmeras da Alesp gera indignação, em especial das mulheres que atuam na política.

“É decepcionante um parlamentar infringindo a lei durante uma sessão no plenário, dentro da Assembleia Legislativa, olha a gravidade disso, lá é um espaço em que se propõe políticas públicas, e a lei 13.7188 é clara: importunação sexual é crime. Já está mais do que na hora de todos entenderem sobre o direito das mulheres”, afirma a vereadora de Guararema, Vanessa Martins.

Por ter crescido em ambientes ocupados majoritariamente por homens, como o cenário sertanejo e a política, Vanessa explica que tem orgulho de lutar diariamente para que as mulheres sejam vistas e ouvidas: “As mulheres que arriscam a se lançar na carreira artística ou política encaram uma série de barreiras, mas são essas mulheres guerreiras e determinadas que se levantam e revelam uma força espetacular para fazer girar a roda da história com competência e eficiência, servindo de exemplo para que outras mulheres possam desempenhar suas habilidades em qualquer profissão”.

Já a política e empreendedora mogiana, Andreia Diniz, explica que necessário muito para alterar este cenário: “O assédio, a intimidação, a violência verbal que a mulher passa na política é algo real. Eu como uma pessoa recém ingressada neste ambiente político, tenho visto o quanto as mulheres são intimidadas, o quanto somos tratadas como uma segunda linha de opiniões. Eu lamento profundamente e espero que a gente mude essa situação, pois o Brasil é um dos piores países no ranking de representatividade feminina”.

Diniz ainda ressalta como o assédio contra Isa Penna é preocupante, já que aconteceu em um espaço público e cheio de pessoas. “Isso demonstra muito a forma como a mulher ainda é vista por grande parte da sociedade, pois se uma mulher é tratada desta maneira em um lugar onde há câmeras e em que estão outras pessoas, imagina o que elas não passam quando estão em conversas privadas. Precisamos melhorar muito e tenho trabalhado firmemente para que as mulheres se sintam representadas e percebam que elas podem. Nós podemos sim agregar e muito na política e na sociedade”, finaliza Andreia.