Um pouco de ineficiência

É provável que os nascidos após o ano 2000 jamais tenham rebobinado uma fita cassete, presenciado o risco num DVD ou alugado um filme numa locadora. Sem querer dar ares de saudosismo exagerado a este artigo, é necessário levar em consideração não somente o que se ganhou, mas também o que se perdeu com o avanço tecnológico exacerbado.
Recentemente, locadoras de jogos e filmes eram pontos de encontro de amigos. Sair do colégio Sexta-feira na hora do almoço e passar na locadora com os colegas era tão natural como compartilhar uma foto no Instagram.
O que se perdeu então com o triunfo da virtualização de nossa vida? O Netflix oferece um variado catálogo de filmes acessíveis a um clique de distância, mas ele jamais entabulará uma conversa conosco sobre os últimos lançamentos como fazia o rapaz que trabalhava na locadora.
Ninguém jamais se surpreenderá em encontrar aquela menina por quem se nutria secretamente um afeto. Pois é, a eficiência nos proporcionou muitas coisas, mas nos tirou outras bem importantes também ...
Outro fator relevante é a perda do vínculo físico com as coisas. Outrora, organizávamos nossos livros, DVDs, jogos etc em prateleiras e armários, os quais passavam a integrar nossos ambientes com um charme todo único e especial. É possível fazer isso com uma biblioteca digital no Kindle ou com uma playlist de músicas na área de trabalho?
E quanto aos álbuns de fotos? Será que daqui a 20 anos olharemos as fotos que tiramos de nosso smartphones com a mesma reverência e admiração que nossos pais olham seu álbum de casamento?
Não faltam os que celebram nossa época como que guiada pela marcha do progresso tecnológico. De fato, não faltam estatísticas globais indicando progresso material do homem.
Entretanto, precisamos ter cuidado: podemos viver num mundo sem pobreza, sem doenças, sem guerras, em síntese, um mundo como na música Imagine, de John Lennon e, ainda assim, ter uma existência vazia marcada pelo tédio, desesperança e presenciar que aconteceu, sem nos dar conta, com aquilo que sempre esteve lá como no livro: E O Vento Levou.
Diante disso, não consigo evitar de dizer: - Que vontade de alugar o último filme do Stallone!