O tesouro do Tempo

“A coisa que eu aprendi na prisão é que dinheiro não é o recurso mais valio,só na vida, mas sim o tempo”.
Palavras essas proferidas no metrô de Nova Iorque pelo multimilionário Gordon Gekko (Michael Douglas) a seu genro no filme Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme. De investidor bem-sucedido a presidiário, Gordon Gekko faz seu retorno triunfal no segundo filme da franquia Wall Street. Mais maduro, ele deixa seu genro falando sozinho após propor a reflexão acima.
Mas o que é o tempo? Quando questionado, Santo Agostinho dizia: Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fez a pergunta, já não sei.” Complicado, não é? Longe de oferecer uma resposta convincente, gostaria de, ajudado por Gordon Gekko e Santo Agostinho, propor uma reflexão sobre o tempo, que é a seguinte: nós não temos tempo; ele nos tem. “Ter” implica exercer algum tipo de controle sobre algo. Por exemplo: se você tem um carro, você pode vendê-lo, dirigi-lo para qualquer lugar, emprestá-lo para alguém, deixá-lo na garagem etc.
Contudo, é assim com o tempo?
Em que medida controlamos nosso tempo? Não é verdade que nossa vida pode cessar a qualquer momento? Podemos somar com nosso tempo à quantidade do tempo que outra pessoa dispõe? Se ficarmos sentados no sofá o dia todo, ainda assim não estaríamos usando nosso tempo de alguma maneira? Diante disso, talvez seja mais salutar pensar no tempo como aquele que nos tem, não o contrário. Diferentemente de um carro que dirigimos, o tempo se assemelha mais a um mar tempestuoso em que navegamos e afunda nosso barco se não estivermos preparados. Como preparar bem nosso barco? A lanterna na popa deve ser a virtude da ordem: atribuir a cada atividade sua devida importância dentro da hierarquia de normas e gostos na nossa vida. Sabe aquele sujeito que consegue fazer tanto com o tempo que parece capaz de cruzar, correr para a grande área e cabecear a bola? Eis aí um sujeito ordenado! O que aqueles que morrem não tem mais? Tempo; sem tempo, nada mais é possível de se ter. Se o destino final do barco foi uma ilha paradisíaca, ótimo; caso contrário, não havendo mais tempo, quão arrependidos ficarão aqueles que navegaram embalados pelo canto da sereia para serem dragados pelo mar. Moral da história: dizer que você não tem tempo para, digamos, visitar o asilo é verdade, mas não é justificativa para não fazer isso. Quando você não tiver nada, lembre-se: dedicar tempo a alguém é o que de mais valioso você pode fazer por essa pessoa.