Humanidade lamentável

Dizem que o cão é o melhor amigo do homem, mas a recíproca nem sempre é verdadeira. Como muitos devem ter acompanhado, na semana passada um cãozinho foi morto por um segurança de um supermercado em Osasco. Ainda para os que não ficaram sabendo do ocorrido, o vigilante agrediu o animal que chegou a ser socorrido com graves ferimentos, mas não sobreviveu às lesões.
Famosos e anônimos se indignaram na internet e protestos foram convocados contra o supermercado e o autor do crime. As imagens da agressão, sem pudor, vídeos e fotos circulam pelas redes sociais. Mas o caso evidencia também a distância entre comoção e solução para situações como esta.
O vigilante que matou o animalzinho, que na verdade era uma fêmea, de acordo com informações presentes em reportagens, foi afastado de seu cargo no trabalho.
As penas para crimes de agressão e maus tratos a animais preveem detenção de até um ano, mas frequentemente derivam em prestação de serviços comunitários ou pagamentos de cestas básicas e são consideradas “brandas” por ativistas.  Só a ONG Bendita Adoção, de São Paulo, recebe entre 20 e 30 denúncias e pedidos de resgate de animais por dia. Mal consegue atender um caso por mês, com a sede já lotada de animais maltratados por cuidar.
A Declaração Universal dos Direitos dos Animais, discutida e instituída pela UNESCO, no ano de 1978, determina uma série de fatores a respeito da convivência humana com os animais, mas deixa claro que “Todo o animal tem o direito a ser respeitado” segundo o parágrafo 1º do Art. 2º e que “Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis” de acordo com o parágrafo 1º do Art. 3º.
Hoje, sabemos que muitas pessoas sequer têm o conhecimento de que essa proposta em algum momento foi criada na sociedade, e que se tornou um regimento, bandeira principalmente daqueles que se propõem a lutar pela causa dos animais. O questionamento que fica, mediante a lamentável situação em que um cidadão foi capaz de matar - a pauladas - um animal indefeso, apenas por querer tirá-lo do lugar onde estava é a seguinte: a que ponto ainda podemos acreditar que há HUMANIDADE entre os chamados “seres humanos”?