Brasil conquista prata no Adestramento Paraequestre

Momento Equestre

Wander Roberto CPB @wander_imagem.

O hipismo brasileiro começou muito bem sua participação nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Afinal, logo no primeiro dia de atividades da modalidade, o cavaleiro Rodolpho Riskalla (foto) garantiu uma inédita medalha de prata para o Brasil no Adestramento Paraquestre Grau IV, montando o hanoveriano Don Henrico.

Terceiro de 15 concorrentes a entrar no picadeiro, embalado pela trilha de "Aquarela do Brasil" que tocava ao fundo, Rodolpho fechou com 74,659% de aproveitamento, assumindo a liderança temporária da competição.

Ao final da disputa, sagrou-se campeã a holandesa Sanne Voets, montando Demantur, que registrou 76,585%. Voets, aliás, já havia se sagrado campeã na Rio 2016 e no mundial de 2018. O bronze, por sua vez, ficou para o conjunto belga Manon Claeys e San Dior, que alcançou o índice de 72,853%.

"Entrar no começo é sempre difícil. Tento me concentrar só no que está acontecendo entre nós, meu cavalo e eu. Não pude treinar nenhum dia sozinho na pista, então cria um pouco de tensão no começo, mas eu o conheço, vai relaxando. Deu tudo certo, fiquei super contente. Estou muito emocionado em competir em uma pista e um evento como esse... Dia 30 tem mais!", destacou Rodolpho, que ainda tem grandes chances de garantir mais uma medalha na segunda-feira, 30 de agosto, na disputa do Freestyle Grau IV, reprise com sequência livre de movimentos obrigatórios e acompanhamento musical.

Trajetória de superação

Hoje com 36 anos, Rodolpho é dono de uma incrível história de superação. Ainda criança, começou a montar no Clube Hípico de Santo Amaro em São Paulo, competindo no Adestramento Clássico com várias conquistas. Em meados da década de 2000 se transferiu para Europa, tendo treinado com renomados nomes da modalidade. Em 2015, entretanto, contraiu meningite bacteriana e como consequência da doença sofreu a amputação tibial das duas pernas, mão direita e dedos da mão esquerda.

Apesar das adversidades, logo retornou ao hipismo. No início de 2016, após passar por meses de intenso tratamento, fisioterapia e adequação às próteses, Rodolpho voltou a montar no clube Polo de Paris com apoio da mãe e treinadora Rosangele e da irmã Victória, amazona de Adestramento. Riskalla passou então a dividir seu tempo entre o trabalho, treinos e viagens montando Don Henrico. O conjunto foi então convocado para integrar o Time Brasil nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016 na categoria Grau IV, ficando em 10º na classificação individual e em 7º por equipe.

Ainda em 2016, o cavaleiro paulista subiu no palco do FEI Awards para receber o troféu como vencedor da categoria “Against All Odds”, premiação anual promovida pela Federação Equestre Internacional para homenagear os cavaleiros que mais se destacaram na superação de adversidades.

Em 2018, também com Don Henrico, seu companheiro de longa data de propriedade da ex-amazona olímpica alemã Ann Katrin Linsehof, Rodolpho conquistou duas pratas nos Jogos Equestres Mundiais, a copa do mundo do hipismo realizada a cada quatro anos, que teve sua mais recente edição em Tryon (EUA). Além disso, vale destacar que o cavaleiro também voltou a competir com sucesso em provas de Adestramento Clássico.

O hipismo brasileira conta ainda com outro representante em Tóquio, o brasiliense Sérgio Froes Oliva, que está em sua quarta participação paralímpica. Dono de duas medalhas de bronze nos Jogos do Rio de Janeiro, Oliva tinha estreia prevista para essa sexta-feira, 27 de agosto, no Grau I, montando Milenium. (Com informações adicionais de Imprensa CBH)