Walt Disney no Brasil

Em 1941, a Europa vivia sob o do terror da 2ª Guerra Mundial. No mesmo ano, os japoneses atacaram a base americana de Pearl Harbor no Havaí, que resultou na entrada dos EUA no conflito.
Paralelamente, Walt Disney colhia os frutos de seu sucesso cinematográfico Branca de Neve e os Sete Anões. Entretanto, diante do conflito na Europa e na Ásia e de uma greve de funcionários, ele se encontrava numa situação difícil até receber um convite diplomático do presidente Franklin Roosevelt.
Os EUA receavam que os alemães usassem a América Latina como plataforma para desestruturar a região e, com isso, fragilizar a posição dos americanos na Guerra. Ciente disso, Roosevelt buscou estreitar os laços com os vizinhos do Sul naquilo que ficou conhecido como Política da Boa Vizinhança. Parte dessa política envolvia uma viagem de Walt Disney ao Brasil para a produção de desenhos retratando a proximidade dos EUA com os países latino americanos.
Como produto da viagem de Walt Disney pelo Brasil, Uruguai, Argentina, ele nos legou as produções Alô, Amigos e Você já foi a Bahia?. Nelas, o Pato Donald e outros personagens realizam viagens pela América Latina para conhecer melhor a cultura da região contando com companheiros ilustres, como o carismático Zé Carioca, que introduz o Pato Donald ao samba, à cachaça e às belezas naturais do Brasil.
Além disso, Roosevelt veio ao Brasil no início dos anos 40 e encontrou-se com Getúlio Vargas para negociar a instalação de uma base aérea americana em Natal, local estratégico por se tratar do ponto na América do Sul mais próximo da Europa e da África, onde os aviões americanos pousariam para reabastecer.
Como fruto desse encontro, ficou combinada a instalação da base na capital do Rio Grande do Norte, contando com um contingente de aproximadamente 10.000 homens. Com eles, veio a Coca-Cola, óculos de aviador, calça jeans e uma infraestrutura para recebê-los, o que alterou drasticamente a paisagem e a dinâmica da cidade.
Recentemente, o governo brasileiro sinalizou que pretende estreitar relações diplomáticas com os EUA novamente. Parte da agenda comum envolve antagonizar os governos alinhados com o Foro de São Paulo e as consequências de medidas populistas tomadas por Kirchner na Argentina, Maduro na Venezuela e Morales na Bolívia.
Oxalá essa aproximação renda frutos no século XXI como rendeu no século XX. Afinal, jamais devemos nos esquecer do seguinte: somos todos americanos!