Pretos e pardos representam 27.67% dos candidatos nas eleições guararemenses

Apuração foi feita pela redação do O Novo de acordo com os dados informados pelos políticos para o TSE

TSE

Em mais uma das matérias especiais relacionadas a representatividade nas eleições municipais Do ano de 2020, a redação do jornal O Novo constatou que apenas 27.67% dos candidatos de Guararema (prefeito, vice-prefeito e vereador) se identificam como pretos ou pardos, número que reflete a desigualdade social brasileira.

Sobre a definição de raça e cor, o instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) explica que reconhece as opções branca, preta, amarela, parda ou indígena, e que o cidadão tem o poder para escolher como se classifica. “A identificação é da pessoa, é ela que sabe como se entende, porque é uma interação social, uma percepção de si mesma e do outro”, afirmam.

Segundo a divulgação de candidaturas e contas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Guararema não possui nenhum candidato ao cargo de prefeito que se considera preto ou pardo, já na concorrência pelo cargo de vice-prefeito temos o Pastor Sidclei (Republicanos), que é candidato ao lado da Pastora Jessiane.

Quanto à população que se declara preta e concorre para o legislativo guararemense, há apenas 17 entre os 159 candidatos, o que representa apenas 10.69% da lista. Os partidos com mais representatividade neste sentido são: PROS (3), Republicanos (2), PSD (2), PL (2), PSL (2), PTB (2), PSC (2), MDB (2) e PSB (1).

Já os candidatos a vereador que se classificam como pardos são 27 dos 159 políticos, número que representa 16.98% da lista. Os partidos com mais candidatos pardos são: PSD (7), Republicanos (5), PSC (4), PROS (4), PSL (3), PL (2), PTB (1) e PSB (1).

De acordo com o estudo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil (2018), promovido pelo IBGE, que faz uma análise das desigualdades entre brancos e pretos ou pardos ligadas ao trabalho, à distribuição de renda e à representação política, apenas 24,4% dos deputados federais, 28,9% dos deputados estaduais e 42,1% dos vereadores eleitos eram pretos ou pardos.

Um aumento de representantes políticos pretos e pardos, como define o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, é essencial para assegurar igualdades de oportunidade, de políticas públicas em um país em que 9,3% das pessoas são pretas e 46,5% pardas (dados do IBGE 2018). “O racismo no Brasil não é fruto apenas de comportamentos individuais pervertidos; é um fenômeno estrutural, institucional e sistêmico”, destacou o ministro Luís Barroso.