O Excepcionalismo Americano

Retornei Quinta-feira dos EUA depois de passar 10 dias em Washington D.C. A cada viagem, minhas suspeitas de que aquele país é único se confirmam. Essa percepção foi também a de outros visitantes.
Em 1831, desembarcou na América o pensador Alexis de Tocqueville. Durante 9 meses, ele viajou pelo país entrevistando políticos, comerciantes e trabalhadores para compreender melhor os fundamentos da república recém-formada em 1787. 
Do relato de Tocqueville, publicou-se o livro Democracia na América, que demonstra os aspectos singulares da sociedade americana.
E quais seriam eles?
É difícil dizer. É necessário estar nos EUA para entender e cada um tem uma percepção distinta.
Entretanto, atrevo-me a dizer que essa singularidade é real, tanto em pequenas como grandes coisas.
Os EUA, juntamente com o Canadá em alguma medida, foi a única nação americana que desenvolveu durante seu período colonial uma cultura genuinamente comercial. Para isso, foi necessário um sistema de leis claras e específicas, além de uma mentalidade empreendedora e estoica.
É sabido como os americanos são conhecidos pelo zelo com que executam seu trabalho. Presenciei isso em minha viagem.Estava no lobby do hotel, aproximei-me da atendente e perguntei:  - Qual é a igreja mais próxima do hotel? Ela me perguntou: - Gostaria também de saber o horário das Missas? Surpreendido, respondi: - Sim. Além de me informar o endereço, ela imprimiu um mapa de como chegar a igreja e informou-me o website para averiguar o horário das Missas. Um gesto muito pequeno, mas que diz muito sobre a mentalidade de um povo.
Em se tratando de religião, Tocqueville disse que ela é a primeira das instituições políticas dos americanos. Percebe-se que a religião subjaz o debate político contemporâneo envolvendo o aborto, ideologia de gênero, oração nas escolas, etc. Para os que não sabem, todas as sessões do Congresso americano iniciam-se com uma oração, sendo que há capelas no Capitólio com seus próprios ministros.
Questionado acerca da separação entre igreja e estado, um dos assistentes dos ministros respondeu:
- Nós acreditamos em separação entre igreja e estado, mas não entre Deus e o estado.
Isso já é suficiente para se ter uma ideia de que os EUA é um país único. Isso é algo bom? Aos que dizem não, reflitam melhor sobre isso bebendo uma Coca-Cola enquanto assistem a um filme de Hollywood e comem seu hambúrguer com batata-frita. Quanto a mim, o que digo? God bless America e até a próxima!