Homenagem dona Cecília

Ontem foi o sepultamento da dona Cecília Tavares, mãe da Miriam Tavares e sogra do José Valter. É triste e preocupante que estejamos perdendo uma geração tão importante. Às vezes parece que a geração que viu a segunda guerra está desconectada da realidade de hoje. É uma geração com valores antigos, que não tem redes sociais, que não sabe o que é Vingadores e não está preocupada com esquerda ou direita. A gente tem a impressão que é uma geração que não soube mudar, mas acho que aí está o ponto: é a geração que mais teve que mudar, provavelmente na história da humanidade. O mundo mudou mais desde a segunda guerra pra cá do que mudou em 200, 300 anos em questão de valores, de novas tecnologias e de mudanças no cotidiano das pessoas. Essa geração construiu o mundo que vivemos com as próprias mãos (ou reconstruiu, depois da guerra). Eram pessoas que podiam ser duras muitas vezes, mas eram assim porque foi necessário se tornar assim para sobreviver. Talvez não seja a geração deles que estava desconectada da realidade, mas a nossa. Com a perda deles, se perde também um ponto de referência de uma outra época e outros valores, quando as pessoas trabalhavam duro para construir algo para as próximas gerações, e não pra si mesmas. Quando não se perdia muito tempo com abstrações teóricas mas se tentava contruir um mundo um pouco melhor com muito esforço. Quando não se perdia tanto tempo reclamando da própria situação, mas se procurava na prática uma maneira de melhorar a vida. A presença dessa geração vai fazer falta. Não dizemos adeus, dona Cecília Tavares, mas até breve. Que o bom Deus conforte a todos os seus familiares.