Bloqueio de verbas compromete a abertura de vagas e a compra de materiais nos Institutos Federais da região

Divulgação

O bloqueio de 30% da verba na área da educação anunciado pelo governo federal, que era destinado ao pagamento de gastos não obrigatórios, como água, luz e serviços terceirizados, preocupa os Institutos Federais de São Paulo do Alto Tietê. Em nota, o Ministério da Educação afirmou que o corte, comparado ao total de verbas, não passa de 3,4% do orçamento geral das instituições. Os reflexos do corte de verbas já estão visíveis dentro das instituições, pois a situação econômica compromete a abertura de novas vagas, e os alunos podem ficar sem material nos laboratórios. O funcionamento total do IFSP está comprometido, e já estava com alguns improvisos, entre eles a divisão de parte de um dos laboratórios de mecânica com o refeitório, que já invadiu o que deveria ser uma área de convivência para os alunos. Novas vagas não são abertas por falta de salas. O congelamento de recursos não vai prejudicar só os serviços para manter a unidade funcionando e os investimentos nela. A alimentação de cerca de 240 alunos do período integral, talvez seja mantida somente até novembro. O diretor-geral da unidade de Suzano, Breno Teixeira Santos, afirma que laboratórios vão parar. "Algumas aulas, com o passar do tempo, vão deixar de ser dadas em laboratório porque não teremos verbas para isso", diz. Anualmente o Ministério da Educação repassava para a unidade de Suzano cerca de R$ 2 milhões. Funcionando desde 2010, o campus chegou a receber mais verba em anos anteriores. Até agora, os projetos que estão em andamento já tinham sido planejados com o orçamento anterior. A preocupação é quanto às atividades que podem ficar comprometidas no segundo semestre deste ano. "A gente já vem com desenho de cortes desde 2015, então o cenário nosso hoje, não só no campus de Suzano, os contratos estão todos no limite mínimo. Não tem gordura para corte e para dar sobrevida. Então mais contingenciamentos ou cortes, vão de fato levar a gente a suspender serviços", pontua o diretor. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que o bloqueio de 30% das verbas nas universidades e institutos federais se refere apenas a uma parte das despesas chamadas discricionárias, como água, luz, serviços terceirizados e pesquisas.