Infância e adolescência: privação de direitos

Diversão, sossego e zero responsabilidades. Assim vemos o período de infância/adolescência e é exatamente nisso que pensamos ao perceber que, enfim, viramos “gente grande”. Certo?
Pois é, mas como nem tudo são flores, existem pontos preocupantes sendo invisibilizados com relação aos menores. Estudo lançado no dia 14 deste mês pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostrou que 61% das crianças e dos adolescentes brasileiros são afetados pela pobreza, em suas múltiplas dimensões. São 32 milhões de meninas e meninos nesta situação.
Temos que combinar que é bem difícil viver com tranquilidade e falta de preocupação quando há um conjunto de privações de direitos impedindo tudo isso. Claro, as crianças não veem a situação com o peso que nós, adultos, vemos (ou ao menos deveríamos). Mas elas sentem na pele e isso, sem dúvidas, pode refletir no futuro de alguma forma. 
O mesmo levantamento do Unicef apontou que a pobreza na infância e na adolescência vai além da renda, afinal foram analisadas também questões de acesso a educação, informação, proteção contra o trabalho infantil, moradia, água e saneamento. Com a obtenção de um resultado preocupante ao país, o Fundo divulgou nesta quarta-feira, 22, a defesa de espaço prioritário aos direitos das crianças e dos adolescentes nas eleições de 2018. O retorno incluiu envio de documento aos candidatos à Presidência da República. Isso não deveria nem precisar ser uma solicitação atual, mas infelizmente é o que acontece em uma realidade como a do nosso país. 
Meios para enfrentar o problema existem. Como explicou a Agência Brasil, para conter a série de privações, o Unicef tem propostas como as que pedem que haja maior detalhamento do orçamento público, especificando quanto é destinado a crianças e adolescentes e que  fundo, e que estudos como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios e o Censo 2020 avaliem a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes. Mas até quando propostas ficarão apenas no papel?