Inovar é valorizar tradições

Arquivo Pessoal

Quantas vezes você já ouviu, ultimamente, sobre a necessidade de quebrarmos paradigmas, de inovarmos ou nos reinventarmos neste período pandêmico? Aposto que várias.

A diferença de idade e geração entre mim e minha mãe é grande. Ela nasceu no pós-Segunda Grande Guerra. Já eu passei a ter noção de mundo a partir da redemocratização do nosso Brasil. Minha juventude e parte da vida adulta foi tomada por conflitos de ideias ou visões comportamentais divergentes dentro de casa.

Minha mãe sempre primou pela disciplina, pelo trabalho desde jovem com empenho e profissionalismo, pelo respeito às gerações anteriores, pela educação formal e rigorosa, com muito amor e carinho sim, mas com austeridade. Também nos orientou a buscar uma crença e ter a plenitude da alma preenchida com religiosidade e manutenção das tradições familiares. Fez questão de mostrar a importância da reverência às instituições e às autoridades. E eu? Bom... com cabelo comprido, barba sem fazer, resolvi largar o formalismo da advocacia para trabalhar com sustentabilidade e meio ambiente, com uma agenda ambientalista, anticapitalista, etc... já quis anarquizar o sistema.

Hoje, quarentão, me vejo cada vez mais em minha mãe. A maturidade e o tempo nos fazem chegar à conclusão de que, no fim, mamãe sempre teve razão! Quando jovens, imaturos, temos dificuldade de reconhecer a importância das tradições, e questionamos padrões e comportamentos pela total falta de compreensão da realidade. Na ânsia de fazer valer aquilo que desejamos, damos de ombros às tradições, com a justificativa de que devemos inovar.

Essa tentativa equivocada de diminuir a importância das tradições com o objetivo de sustentar um discurso inovador é uma crise que transcende gerações. O convívio social adequado exige condutas adequadas para cada ocasião. Parece piegas, mas quem não consegue olhar e respeitar o passado, jamais projetará um bom futuro.

Mamãe, toda gratidão e reconhecimento por me mostrar que não inovamos em nada, sem valorizarmos as tradições!

Juliano Abe
Advogado e Diretor Adjunto de Ações Regionais da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo