Papa Francisco diz em documentário que é a favor da união civil entre pessoas homossexuais

Nunca tendo se posicionado muito sobre, Papa Francisco demonstra seu apoio na união entre pessoas do mesmo sexo em novo documentário

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Na última quarta-feira, 21, foi lançado um documentário no Festival de Cinema de Roma, dirigido por Evgeny Afineevsky, nascido na Rússia.

O documentário aborda sobre questões como o racismo, a pandemia e o abuso sexual, e conta com um sobrevivente gay de abuso sexual, e também, Papa Francisco, que expressa a sua opinião sobre a união de pessoas do mesmo sexo. De acordo com La Nación, jornal argentino, o filme trata sobre um italiano gay que vive em Roma, e tem três filhos, no documentário ele relata que uma vez escreveu para o Papa, pedindo para enviar suas crianças para a paróquia, mas tinha muito receio de que elas fossem discriminadas.

Desde que foi eleito Papa, no ano de 2013, é a primeira vez que ele mostra forte apoio a comunidade LGBT. A primeira vez que Francisco expressou a sua opinião sobre isso, ele disse que ‘‘se uma pessoa é gay e busca por Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?’’.

Segundo Papa ‘‘os homossexuais têm o direito de ter uma família, são filhos de Deus. Ninguém pode ser expulso de uma família, e a vida dessas pessoas não pode se tornar impossível por esse motivo’’, conta.

Nunca tendo se manifestado antes de ser papa sobre o assunto, ele relata que apoia que ‘‘o que deve ser feito é uma lei de união civil. Eles têm o direito de serem cobertos legalmente. Eu defendi isso’', diz Francisco.

Pedimos a opinião de leitores do jornal O NOVO, e um deles nos conta que ‘‘sou contra a proposta do Papa, ele propõe uma lei diferente do casamento civil, isso torna as relações homoafetivas como diferente das demais. Acho importante a fala dele respeito a família, mas nós LGBT queremos a inclusão na lei de casamento civil. Lembrando que união civil não existe na legislação brasileira, o que existe é casamento civil e união estável. Desde 2011 o STF reconhece o casamento civil para sem discriminação por orientação sexual e identidade gênero. Criar uma lei específica de união civil pode conceder direitos diferentes ou menor do que o casamento’’, opina Gustavo Don, ativista LGBTQIA+, de Mogi das Cruzes.

Em opinião manifestada ao jornal Tribuna do Norte, Filipe Domingues, Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Gregoriana de Roma, relata que ‘‘Ele foi muito claro. Eles têm o direito de ser parte de uma família. É uma abordagem pastoral que ele tem feito, de encontrar pessoas onde elas estão, de ir ao encontro e aproximá-las de Deus, em vez de exigir que elas mudem antes mesmo de serem acolhidas’’, diz.