Com dois empregos, enfermeira chega a ficar até 3 dias longe de casa

Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, dos 16 mil profissionais da saúde entrevistados, quase metade admite excesso de trabalho

Eloiza Bilek

Em consequência da pandemia, a cidade de Jacareí  declarou que o sistema de saúde está em colapso. O município atingiu 100% de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para infectados pela Covid-19. 

Enquanto funcionários da saúde relatam exaustão pelo trabalho com a unidade lotada, pessoas com suspeita da doença dão sinal de que a situação não está perto de acabar, segundo elas, suas famílias inteiras estão com os mesmos sintomas.

 “Da minha casa, tem eu, meu marido e 3 filhos (Com suspeita de Covid-19), e na minha família ainda tem minha tia, o marido e meu primo com sintomas.”, diz Suzana Ferreira, de 38 anos, que aguardava na manhã do dia 21 de março, a realização do teste da doença.  Apesar da grave situação na cidade, ela afirma que muitos continuam vivendo a vida normalmente, “sem alterar a rotina ou costumes".

Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, apontou que as condições de trabalho dos profissionais da saúde no Brasil reforçam o impacto da exaustão pela pandemia. Dos 16 mil participantes, quase metade admite excesso de trabalho, com jornadas acima de 40 horas semanais, e 43,2% não se sentem protegidos no trabalho. O principal motivo, relatado por 23%, é a falta, escassez e inadequação do uso dos Equipamentos de Proteção Individual, como as máscaras. 

Esse é o caso da enfermeira Eloiza Bilek, que trabalha na retaguarda de um hospital em Jacareí e também na linha de frente da Santa Casa de uma cidade vizinha. Em depoimento a enfermeira contou como está a situação onde trabalha "Entramos em colapso, estamos sem vagas, já perdemos muita gente e ao mesmo tempo vemos pessoas  andando pela rua como se nada tivesse acontecendo, falta conscientização da população em geral”, relata Bilek.

A enfermeira é casada e como fruto da união, tem 4 filhas. Além de conciliar o tempo com os dois empregos, Eloiza precisa de organização, pois em casa realiza algumas tarefas domésticas, e tira um tempo para conseguir dar atenção à família. A profissional chega a ficar de 2 a 3 dias longe da residência para conseguir atender seus pacientes.